dezembro 02, 2004

Angels In America

PRIOR (to audience): Let’s just turn the volume down on this, OK?
They’ll be at it for hours. It’s not that what they’re saying isn’t important, it’s just…
This is my favorite place in New York City. No, in the whole universe. The parts of it I have seen.
On a day like today. A sunny winter’s day, warm and cold at once. The sky’s little hazy, so the sunlight has a physical presence, a character. In autumn, those trees across the lake are yellow, and the sun strikes those most brilliantly. Against the blue of the sky, that sad fall blue, those trees are more light than vegetation. They are Yankee trees, New England transplants. They’re barren now.

Angels In America, Tony Kushner

Vencedora do prémio Pulitzer para texto dramático, Angels In America é das peças mais marcantes da última década. O título elucida-nos para os três mundos presentes: a realidade (America), a fantasia/alucinação (Angels) e o conjunto dos dois, criador da alegoria perfeita (Angels In America).

Centrada em Nova Iorque, anos 80, durante a presidência de Reagan, é uma fantástica metáfora (e uma metáfora fantástica) de uma realidade assente em crise, declarada pela exposição da SIDA, da homossexualidade, religiões carentes - presas em contradições e incapacitadas de resposta - e a alegada força do poder, que subitamente se torna frágil e em decadência, entre muitas outras realidades sociais. A par desta America, e nela, algumas personagens têm visões/alucinações provocadas pela doença, medicamentos, passado ou esperança. Esta fantasia torna-se a sintaxe do desespero/cólera e da exaustão.

O texto deu lugar à série, produzida pela HBO, que está a ser reposta n’ a dois ao longo desta semana (por volta das 23). Dividida em seis episódios, três para cada acto da série, Angels In America é do melhor que se fez para televisão nos últimos anos e provavelmente uma das melhores mini-séries de sempre.