outubro 09, 2004

The Village, M. Night Shyamalan (2004)

The Village, como The Sixth Sense e Unbreakable – não vi Signs -, tem a habilidade de prometer bom cinema – acima da média – até ¾ do filme. Shyamalan sabe prender o espectador e prendê-lo inicialmente com uma boa fórmula, para a qual ainda não encontrou a solução.

Os filmes – esses três – partem de um mistério ou por algo que só o espectador não controla, mas está ao alcance de, pelo menos, uma das personagens. Ou seja, não existe realmente nada fora do controlo do que se passa na tela, algo que fuja ao domínio de todos os intervenientes e crie suspense a sério, apenas um jogo construído pela omissão ou por um facto a descobrir por uma só personagem.

Tudo poderia ser perfeito se o facto omitido não fosse a coisa mais previsível de sempre. Podemos ser enganados uma vez, como em The Sixth Sense, mas depois esse final transforma-se na coisa esperada, nalgo tremendamente óbvio. No entanto, e é aqui que está algum do valor de Shyamalan, ele consegue não revelar esse óbvio ou mostrar essa fraqueza até ao preciso momento em que o facto é apresentado. Isto, porque não há pistas concretas e porque, de diversas formas, Shyamalan lá nos vai pondo a pensar ou a distrair-nos com outras coisas.

The Village está tão bem realizado como qualquer um dos outros dois, é mais um filme que me dá gosto de ver mas do qual não consigo gostar. Mais uma vez, a construção é extremamente interessante, mas o último quarto do filme não consegue corresponder nem responder narrativamente a tudo o que está para trás. São conclusões sem expressividade, sem uma linearidade estética e narrativa, apenas hábeis em destruir o nervo e o espírito dos primeiros ¾.