outubro 31, 2004

Barata Salgueiro, 15:30



2/11 A Girl in Every Port, Howard Hawks
3/11 It's the Old Army Game, Edward Sutherland
4/11 Die Buchse Der Pandora, Georg Pabst
5/11 Das Tagebuch Einer Verlorenen, Georg Pabst
6/11 Prix de Beauté, Augusto Genina

outubro 30, 2004

Por ti tudo, Dorleac.

A revista online Senses of Cinema é, actualmente, uma das publicações mais interessantes sobre cinema. Na edição 33, recentemente publicada, encontra-se um excelente artigo em volta do brilhante - para mim o melhor - filme de Truffaut, La Peau Douce.

Embora não venha referido no artigo, os segundos que Dorleac e Desailly tornam imortais no elevador do Hotel Tivoli em Lisboa - esta cena não foi filmada neste hotel, nem sequer em Lisboa, mas em Paris – expelem um dos momentos de maior exposição do tempo, motivando-o a não existir. É uma cena que permanece imobilizada no filme, nasce, vive, desenvolve-se sozinha, daquelas que viabilizam apetites ilógicos.

outubro 24, 2004

ANTOINE DOINEL

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outubro 22, 2004

Festa do Cinema Francês #3

O resto, porque não há muito a dizer ou porque a vida é curta.

Agents Secrets (2004), Frédéric Schoendoerffer
Filme sobre agentes secretos, como o nome indica. Bem esboçado mas com um toque demasiado sério que cai no enjoo.

Blueberry (2004), Jan Koumen
Não sendo grande admirador desta criação para banda desenhada de Giraud, fui arrastado pelo “Western Xamânico” que classifica o filme no catálogo da Festa. Entreteve naquele sábado de tarde, mas é um filme demasiado recheado de falsos simbolismos e uma miscelânea de várias histórias de Blueberry. O resultado chega a ser coerente, no entanto, perde-se nas explicações visuais exageradíssimas no final.

Exils (2004), Tony Gatlif
Interessante pelos caminhos opostos que os filhos de retornados e alguns emigrantes da Argélia tomam. Tirando o portentoso final, está recheado de clichés e banalidades.

Le Chien, Le Général et Les Oiseaux (2003), Francis Nielsen
Falha inicialmente por dar de imediato a sensação de história contada. No entanto, a segunda metade é bastante mais interessante, embora muito presa a um imaginário cada vez menos apelativo ou estimulante.

Il se Mariènt et Eurent Beaucoup d’Enfants (2004), Yvan Attal
O melhor desta pequena lista. Entusiasmou-me pela forma como delimita e separa os momentos de comédia das cenas mais “sérias”. Consegue passar pelo humor, drama, a fantasia sem cair em grandes pretensões, cumprindo seriamente aquilo a que se compromete. Espelha n situações não declaradas ao longo do filme e consegue abordar a seriedade/problemas de uma relação de forma ligeira, mas séria, e muito suave. Talvez o filme (arrisco dizer sem ter visto grande parte do programa) mais confortável desta quinta edição.

Festa do Cinema Francês #2

Sex is Comedy (2002) & Anatomie de L’Enfer (2004), Catherine Breillat
Notre Musique (2004), Jean-Luc Godard
Sex is Comedy e Notre Musique, de Godard, proporcionaram-me os melhores momentos da quinta edição da Festa do Cinema Francês.
Breillat criou um belo filme sobre cinema e sexo. O filme desenvolve-se em volta de uma cena difícil de filmar – um casal de adolescentes a fazerem amor pela primeira vez – e através dos sentimentos ambíguos e tensões que se gerem entre as personagens – tanto as de Sex is Comedy como as desse filme imaginário. Tudo isto seria perfeitamente banal se a realizadora – a do filme imaginário – não fosse o centro e o maior exemplo dessa ambiguidade, acusando-a nos momentos que não nos são mostrados, isto é, o que se passou antes do filme, no momento em que escolheu aqueles actores para desempenharem aquele papel. Esta indefinição que depois e reflectida no seu relacionamento com a sua equipa gera uma imensa falta de auto-estima – pouco lamechas e está tão bem filmada que por vezes passa ingenuamente despercebida -, preparando-nos para a derradeira cena, onde os limites da coordenação da realizadora são ultrapassados, conduzindo todos os espectadores – os de dentro e fora do filme – à inércia ou a um desejo de não-acção. O final dá uma sensação única de “trabalho feito” e isso traduz-se na satisfação, alívio e atonia no espectador. Não é isso que esperamos de todos os finais, mesmo nos filmes que são feitos só para isso?
Anatomie de L’Enfer parece falhar na intenção de filmar a intimidade de uma mulher e, em segundo e terceiro plano, a de um homem e a de um homem e de uma mulher. Há um voyeurismo que toma conta do filme, suportado pela narração de um suposto narrador que completa os sentimentos das personagens, complementa aquilo que Breillat não conseguiu filmar. As imagens contém uma força não correspondida por não estarem dentro de uma coisa nem outra nem nos limites da intimidade ou do voyeurismo, mas num não lugar que insiste em ser narrado, como se os corpos filmados não existissem. As personagens, os actores, o cenário, a câmara , o filme, tudo morre nesta percepção. Qualquer conteúdo perde-se nas imagens e elas tornam-se meramente descritivas, repetitivas, extremamente aborrecidas. São “coisas” sem lugar, “algo” sem presença, um filme que não existe. A realizadora falhou não em adaptar o seu livro - Pornocratie - mas ao escolher em adaptá-lo. Há coisas, como abrir um livro durante 80 minutos, que não têm lugar no cinema.
Sobre Notre Musique tenho pouco a dizer, posso escrever “sublime”, mas não lhe serve. Apenas posso recomendá-lo veementemente.

outubro 21, 2004

cummings

somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look will easily unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously)her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully ,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands

e.e. cummings, somewhere i have never travelled, gladly beyond

outubro 20, 2004

Porque é Outono

Lewis Black, o comentador/comediante que melhor simula a ocasião de um ataque cardíaco, conhecido por cá pela sua coluna irregular no Daily Show - Back in Black -, explica num dos seus espectáculos editados em CD o sentimento generalizado em relação à estação mais irritante e promíscua do ano, o Outono. Podem fazer o download aqui. Os mais ambiciosos devem ouvir o restante White Album, e, ainda, Rules of Enragement e The End of the Universe.

outubro 19, 2004

doclisboa 2004

Começa já no próximo domingo na Culturgest o doclisboa 2004. Uma programação coerente e tentadora e preços convidativos garantirão de certeza muitas horas passadas no Campo Pequeno durante a última semana de Outubro.

outubro 16, 2004

Festa do Cinema Francês #1.5

Embora intende escrever sobre os filmes que vi, este aparte serve apenas para forçar os leitores a ignorarem os exagerados pontos de exclamação nos flyers relativos aos filmes de Enki Bilal, que vão passar no Instituto Franco-Português, Bunker Palace Hotel e Tykho Moon, nos dias 18 e 25, respectivamente, sempre às 21. Apareçam, estes valem o esforço.

outubro 15, 2004

Festa do Cinema Francês #1

Immortel, Enki Bilal (2004)

Terceiro filme de Enki Bilal, o primeiro directamente baseado no seu trabalho na nona arte, a Trilogia de Nikopol – “A Feira dos Imortais”, “A Mulher Armadilha” e “Frio Equador”, todos editados por cá pela Meribérica. Se os dois anteriores filmes – Bunker Palace Hotel (1989) e Tykho Moon (1996) - primavam pela concretização no cinema da sua concepção única e hiperrealista de um mundo futuro, Immortel cai na banalidade da animação digital e de cenários cliché, algo distantes dos existentes na banda desenhada e nos seus filmes.

Immortel talvez falhe por partir de uma adaptação e de maiores concessões a estúdios. Falha por vários pormenores não serem explicados – embora o sejam nos livros -, essenciais para uma maior fluência do filme, criando assim um monstro ao longo do filme: factos que caem do céu, cenas dispersas, supérfluas, personagens perdidas no próprio filme. Há certas questões que, embora não sejam levantadas, não encontram resposta naquelas duas horas, questões que qualquer espectador atento levanta, vendo-se obrigado a pôr a consistência da história em causa. A supressão disto a favor de cenas secundárias – maioritariamente de acção – atrapalha o raciocínio em torno das questões políticas, raciais e mitológicas que o filme tenta abordar.

É óbvio que na BD isto está muito mais presente, para não dizer que é o essencial. Embora não quisesse ir muito por aí, é impossível separar o filme da adaptação, principalmente quando as personagens surgem absurdamente descaracterizadas e com um papel meramente presencial, passivo. Conta aqui – e muito – o facto de muitas das personagens serem animadas e de não terem qualquer expressividade, caindo no ridículo quando se encontram com as personagens desempenhadas por actores.

Immortel é uma grande decepção. Mediano, ficção científica de portas fechadas, sem meios para ser explorada. Joga pela consequência do final, inventando personagens que o tornem mais complexo e que facilitem a sua chegada.

outubro 09, 2004

The Village, M. Night Shyamalan (2004)

The Village, como The Sixth Sense e Unbreakable – não vi Signs -, tem a habilidade de prometer bom cinema – acima da média – até ¾ do filme. Shyamalan sabe prender o espectador e prendê-lo inicialmente com uma boa fórmula, para a qual ainda não encontrou a solução.

Os filmes – esses três – partem de um mistério ou por algo que só o espectador não controla, mas está ao alcance de, pelo menos, uma das personagens. Ou seja, não existe realmente nada fora do controlo do que se passa na tela, algo que fuja ao domínio de todos os intervenientes e crie suspense a sério, apenas um jogo construído pela omissão ou por um facto a descobrir por uma só personagem.

Tudo poderia ser perfeito se o facto omitido não fosse a coisa mais previsível de sempre. Podemos ser enganados uma vez, como em The Sixth Sense, mas depois esse final transforma-se na coisa esperada, nalgo tremendamente óbvio. No entanto, e é aqui que está algum do valor de Shyamalan, ele consegue não revelar esse óbvio ou mostrar essa fraqueza até ao preciso momento em que o facto é apresentado. Isto, porque não há pistas concretas e porque, de diversas formas, Shyamalan lá nos vai pondo a pensar ou a distrair-nos com outras coisas.

The Village está tão bem realizado como qualquer um dos outros dois, é mais um filme que me dá gosto de ver mas do qual não consigo gostar. Mais uma vez, a construção é extremamente interessante, mas o último quarto do filme não consegue corresponder nem responder narrativamente a tudo o que está para trás. São conclusões sem expressividade, sem uma linearidade estética e narrativa, apenas hábeis em destruir o nervo e o espírito dos primeiros ¾.