julho 11, 2004

On the other hand...

Não imaginava as adaptações de Harry Potter tão aborrecidas. Vi A Pedra Filosofal quando estreou – o livro, para o que lhe é exigido, é significativamente bom – e lutei para não adormecer durante os longos períodos em que, por obrigação ou falta de vontade, o realizador opta por descrições preguiçosas em volta do percurso das personagens ou explicativas do cenário e da própria narração. São momentos pesarosos, mortos, que até desculpam a péssima qualidade de representação dos actores. A Câmara dos Segredos é bastante pior. São demasiados os momentos de vazio narrativo, juntos são bem capazes de formar uma hora das duas horas e meia do filme. Duas horas e meia para crianças? Não menosprezando os livros nem reduzindo o seu público alvo a uma idade, estas adaptações não vão além dos doze anos, dada a mediocridade do conjunto e a incapacidade de criar uma linguagem menos explicativa e mais universal. Volta-se a um cinema com uma linguagem velha e gasta, redundante e pouco subtil, onde todos os pormenores, mesmo aqueles que apenas requerem percepção sensorial, são explicados. Perde-se a envolvência dos livros e 150 minutos de muitas vidas.