julho 25, 2004

Vargtimmen



Johan: Here, this is the worst of them. I call him the Birdman. I don't know if it is a real beak or just a mask. He is very fast. As if he was related to Papageno in The Magic Flute. The others, the carnivores, the insects... especially the spidermen. And the schoolteacher, with his stick… And then these...tattling metal-hard women ... I have to stay awake awhile. In an hour it will be day... then I can sleep. A minute is really a long time span. It starts...10 seconds… Oh, these seconds! See how long they last! Still not a minute. There it is! Now it is gone. Say something. Talk to me, Alma.

Alma: I've been thinking about something for a while... Are you listening? Our life together for seven years... No, that's not what I was going to say.

Johan: I know.

Alma: Isn't it so that people living together for a long time start to resemble one another? They develop so many things in common. Not just their thoughts... Their faces get a similar expression. Why do you think that happens? I wish for us to become so old together that we start thinking each other’s thoughts. And develop similar, dried-up wrinkled faces. What do you think about that? Are you sleeping? Let's go, Johan. Let's go to bed.

julho 22, 2004

É NADER!!

Durante semanas sempre que o nome de Ralph Nader surgia no Daily Show, lia-se "Ralph Nater" nas legendas. No programa de hoje, no início, insistiram mais uma vez em "Nater", só quando o seu nome surgiu em letras grandes na capa do seu novo livro - The Good Fight - é que resolveram acertar e legendar como "Nader". 

Triplets (Kerry, Stallone, Ricardo)

 
 


Ontem, Daily Show.

The only King We Have is Jesus (A Previously unearthed Gospel Song accredited to John Ashcroft)

As I told the Bob Jones students seated white and black apart
This nation is unique not like the rest
As I faced those Godly Youngsters I told them from the heart
Just why this land will always be the best
The only King We Have is Jesus and I feel blessed to bring that News.
The only King we have is Jesus I can't explain why we have Jews 
 
Tron schlect God dreeb nah hope alouf nock
Trest fag narst fag meduna greeb
Tron schlect God dreeb nah hope alouf nock
Dar Popish flarj jar darky heeb
 
(The homosexual lifestyle could make our Jesus weep
He loathed their jokes about which cheek to turn
Yes Jesus came to teach with whom we are to sleep
Ignore that and you'll go to hell and burn) 
 
Calvin Trillin (humorista do The Nation e do The New Yorker)


julho 20, 2004

Ainda Cesare Pavese

Ao entardecer, na casa de Gaminella, contava estas coisas a Angiolina, a Padrino, a Giulia, se esta não tinha ido também, e Padrino dizia: - É um homem que nos pode comprar a todos. Lanzone está bem com ele. Sor Matteo não há-de morrer na rua. Podes acreditar. - Até o granizo, que levou a colheita, não caiu do outro lado do Belbo, e todos os campos da planura do Salto reluziam como o lombo dum boi. - Estamos arruinados - dizia Padrino -, como hei-de agora pagar ao Consórcio? - Já velho como era, o seu grande medo era terminar sem tecto nem terra. - E porque não vendes? - dizia-lhe Angiolina. - Vamos para qualquer outro sítio! - Se a mãe ainda fosse viva - murmurou Padrino. - Compreendi que aquele Outono seria o último, e quando subia a vinha ou ladeava a ribeira sobressaltava-me pensar que alguém me chamasse como a um intruso, que alguém me pusesse fora. Sabia que já não era ninguém.
 
A Lua e as Fogueiras
Engenhosos, alguns conhecidos do meu bairro, estimam o cartão de eleitor de tal modo que o utilizam para fazer filtros.

Oh amigo, feche os olhos.

Nas últimas semanas tenho recebido frequentes visitas dos técnicos da TV Cabo graças à dificuldade que têm em resolver problemas relacionados com o cabo que me dá acesso à internet. Na dezena de visitas em três anos, têm sempre por hábito utilizar o site da TV Cabo como teste. Curiosamente, raramente carrega na sua totalidade. Alguns, mais engenhosos e descarados, consultam durante e depois o site do Record, regozijando com as notícias e verificando que tudo funciona normalmente.

Desculpa, hoje não posso.

Preencher a noite de sexta-feira com televisão não é um cenário muito agradável, mas, por vezes, “razões que nos ultrapassam” obrigam a fazê-lo. Para não causar embaraços, a dois passa pelas 22:30 – hora que desculpa uma saída tardia de casa com “hoje vou jantar mais tarde, depois apareço por lá” - uma das melhores séries-documentários que vi nos últimos tempos: The Private Life of a Masterpiece (A Vida Íntima de uma Obra-Prima). Infelizmente não apanhei os primeiros episódios, mas os dois que entretanto vi bastaram para conciliar a minha vida com o programa ou dar uso ao vídeo. Depois de Les Demoiselles d’Avignon, de Picasso, e de The Great Wave, de Katsushika Hokusai, segue-se nesta sexta La Privamera, de Boticelli. A história, pormenores interessantes, conjunturas, influências e consequências, tudo o que não tivemos tempo para saber nas aulas de História de Arte é desvendado com simplicidade e inteligência na série da BBC.

julho 16, 2004

Indecision 2004

Daily Show (SIC Radical, 13.30 e 20.30 nos dias da semana) é do melhor que o cabo oferece actualmente. Apesar do atraso de 2/3 semanas com que nos chega, a sua estrutura e processo de digestão de certas notícias – o desenrolar, etc. – permitem receber as piadas com uma disposição mais racional e permissiva. O humor de Jon Stewart e amigos é descaradamente subtil, mas universal. Inteligente, mas facilmente apreendido e  compreendido pela expressividade corporal de Stewart. As colunas são igualmente fabulosas – destaque para Stephen Colbert e para a rapariga loira, cujo nome desconheço – bem como as entrevistas. Ontem – repete segunda à hora do almoço – Michael Moore recebeu uma ovação – compreensível – como nunca se tinha visto no programa, promovendo o seu novo filme mais timidamente do que esperado. No entanto, o humor manipulatório dos dois construiu uma conversa de sentido único, continuadora da cobertura “Indecision 2004” que o programa dá às presidenciais. Conversa essa sem falsas partidas, sem embustes, desconforto, mas de dois amigos a disparem punch-lines em massa.

julho 13, 2004

"Survival" at Cinemateca

Visionar cinema mudo numa sala de cinema, sem acompanhamento musical, é uma experiência tão interessante como desconfortável. Interessante, quanto mais não seja, pela falta de hábito, pela novidade – se for uma primeira vez -, pela adaptação à circunstância e pela quantidade de situações – na sua maioria sonoras – que se promovem ao longo do filme. O silêncio que engole a sala é de uma qualidade inexplicável, para muitos ou nalgumas ocasiões, pode ser tão mau como aqueles “desconfortáveis” numa conversa a dois. Qualquer movimento do espectador é ouvido pelos restantes, qualquer respiração “anormal” é alvo de risadas e desconfiança e o simples sussurrar para o companheiro do lado – para acordar, alienar o desconforto – é ouvido ao pormenor de uma ponta à outra da sala. É fácil a distracção com tantos ruídos estomacais, narizes ronronantes e a sensação que se acumula de que cada movimento de pernas vai causar um estrondo imenso. Há sempre uma pessoa que acaba por adormecer nos cinco primeiros minutos do filme – hoje, durante Lumière – Montage Cannes, o meu vizinho do lado não chegou à terceira curta (cada uma tinha sensivelmente 52 segundos) -, outra que pensa alto de olhos fechados e sai-lhe um “hmmm” alarmante num acordar assustado, outra que sai mal se apercebe onde se meteu e algumas que após oscilações cranianas e suspiros de desabafo abandonam o filme a dez minutos do final. Quais soldados a tombar quando a guerra já está ganha.

julho 11, 2004

18 de Agosto [1950]

A coisa mais secretamente temida acaba sempre por acontecer.
Escrevo: ó Tu, tem piedade. E depois?

Basta um pouco de coragem.

Quanto mais a dor é determinada e exacta, tanto mais o instinto de vida se revolta e a ideia de suicídio tomba.

Quando em tal pensava, parecia fácil fazê-lo. No entanto, há pobres mulheres que o fizeram. O que se requer
é humildade, não orgulho.

Tudo isto é asqueroso.
Palavras, não. Um gesto. Não escreverei mais.


O Ofício de Viver, Cesare Pavese

On the other hand...

Não imaginava as adaptações de Harry Potter tão aborrecidas. Vi A Pedra Filosofal quando estreou – o livro, para o que lhe é exigido, é significativamente bom – e lutei para não adormecer durante os longos períodos em que, por obrigação ou falta de vontade, o realizador opta por descrições preguiçosas em volta do percurso das personagens ou explicativas do cenário e da própria narração. São momentos pesarosos, mortos, que até desculpam a péssima qualidade de representação dos actores. A Câmara dos Segredos é bastante pior. São demasiados os momentos de vazio narrativo, juntos são bem capazes de formar uma hora das duas horas e meia do filme. Duas horas e meia para crianças? Não menosprezando os livros nem reduzindo o seu público alvo a uma idade, estas adaptações não vão além dos doze anos, dada a mediocridade do conjunto e a incapacidade de criar uma linguagem menos explicativa e mais universal. Volta-se a um cinema com uma linguagem velha e gasta, redundante e pouco subtil, onde todos os pormenores, mesmo aqueles que apenas requerem percepção sensorial, são explicados. Perde-se a envolvência dos livros e 150 minutos de muitas vidas.

julho 09, 2004

Shrek 2 (2004)

Há poucos anos atrás, alguém referia que animação feita por computador dificilmente iria suplantar a que é sustentada pelo desenho. Curiosamente, na antiga escola o traço tem-se tornado irreconhecível e estúdios como a Pixar ou a DreamWorks têm imputado uma estética segura e uma fórmula, curiosamente, imbatível. Há uns anos, portanto, comparava-se Blood: The Last Vampire, uma produção japonesa, com Final Fantasy, título duma famosíssima série de videojogos da nipónica Squaresoft, mas realizado em solo norte-americano. Blood vencia aos pontos porque o traço era fiel à acção. No entanto, era uma média-metragem experimental, uma sequência de acção cuja técnica, pelo menos que eu tenha conhecimento, até ao momento não foi mais desenvolvida – espera-se por Ghost in the Shell II, que recebeu alguns aplausos no último Festival de Cannes. Final Fantasy era um mau filme, visualmente inspirado mas pouco inspirador, viciado em vazios, tanto entre as personagens como com o próprio argumento. Na mesma altura estreava Shrek. Não foi o primeiro filme do género que vi, mas foi o primeiro que realmente gostei. Entretanto, já houve Monsters Inc., o sobrevalorizado, mas não menos bom por isso, Finding Nemo e outros tantos que não são para aqui chamados.
É curioso verificar que, actualmente, estas propostas de animação por computador são muito mais entusiasmantes que a “antiga” escola da Disney. Indo por partes.

1) Esquecendo a afirmação e a comparação inicial, este tipo de cinema revitalizou o cinema infantil e mostrou-o a alguns adultos. É um cinema pouco lamechas que apenas procura o entretenimento e a piada contemplativa. Shrek (I e II) é um bom exemplo. Obra inspirada na reconstrução do conto de fadas, subvertendo a sua organização e moral, encontrando-se numa simplicidade narrativa, sem óbvias distinções do bem e do mal nem qualquer procura insana disso. Existem bons e maus, mas ninguém lhes aponta o dedo. Ao contrário das últimas obras da Disney, esta apodera-se de uma linguagem actual – tanto verbal como corporal e visual – que – em princípio – qualquer espectador reconhece, não entrando assim no território perigoso da auto-referência. Às crianças escapa muita coisa, mas não lhes foge uma história bem contada e umas quantas personagens para recordar pelo sorriso.

2) Embora neste tipo de cinema – a comédia fantástica para o grande público – tenha suplantado a “velha” animação, no restante a animação feita totalmente em computador não tem tido grande sucesso. Isso explica-se pela facilidade em recriar corpos e movimentos humorísticos e na dificuldade em expressar pela máquina sentimentos ou acções mais complexas, que exigem mais realidade e menos imediatez. Ou seja, o próprio atraso técnico favorece a “nova” animação (ou nova comédia, vamos lá).

3) Visualmente muito agradáveis, com cores que não lembram ao diabo, estes filmes conseguem também reter pelo argumento simples e facilidade em iludir o espectador do que vê. É fácil, durante o filme, apreciar o romance de Shrek e Fiona como o mais belo de sempre. Depois, torna-se um pouco custoso admiti-lo, até porque é bastante difícil de concebê-lo como tal. É arte, se me é permitido o termo, que só fala em e para aqueles noventa minutos. Fora daí, os julgamentos têm mesmo de ser outros.

4) Era difícil ser melhor que o primeiro, porque o efeito surpresa estava estragado. No entanto, Shrek II continua uma fórmula deliciosa, para a qual só os olhos e os gargalhadas conseguem encontrar elogios. Vale o que vale, mas aqui isso já vale muito.

Artdish