junho 26, 2004

Ladykillers (2004), Ethan & Joel Coen

No ano passado, Intolerable Cruelty não foi mal recebido. Era uma comédia ligeira, para tardes de domingo, com duas personagens bem delineadas, com um processo de evolução risível, mas satisfatoriamente divertido. Sem lhes ser exigido muito, Clooney e Zeta Jones eram perfeitos.

Antes de ver Ladykillers reparei como o número de protagonistas nos filmes dos irmãos Coen é muito reduzido. Quando não o é, como em Blood Simple ou Miller’s Crossing, as personagens vivem para um desenrolar narrativo muito solto, que vive de si para si mesmo. Esses filmes, em que os actores são facilmente esquecidos, não deixam de ser dois dos mais importantes da filmografia dos Coen, ao lado de Barton Fink e The Big Lebowski.

A tradução portuguesa – O Quinteto da Morte – de Ladykillers aponta logo para seis protagonistas: cinco que matam, uma que pode morrer. Baseado no filme de 1955 com o mesmo nome, de Alexander Mackendrick, todo ele gira em volta de cinco personagens cliché que iniciam a escavação de um túnel na cave de uma velhota. Mais de metade do filme desenrola-se nesse espaço em cenas que se alongam por situações desnecessárias e monótonas.
Em Ladykillers falha tudo.

Eu disse seis personagens e insisto em como o número é elevado para tão pouco espaço, para a narrativa do cinema dos Coen, para uma comédia à Coen. Tom Hanks não se safa perante tanta mediocridade, tantas más personagens – um chinês com bigode de Hitler... – e arrasta-se pelos seus risos descontrolados irritantes, num misto de rebarbaria e doença mental. A acção desenrola-se sem se dar por ela, sente-se que momentos grandes foram desperdiçados e as coisas acontecem sem envolverem ou se consignarem a qualquer propósito valente. As cenas utilizam uma velocidade desarranjada, longe da alucinação ou da concentração de material, mas passam bem depressa, sem conteúdo. Sem qualquer sex-appeal.

Sensaboria total, o único mau filme dos Coen em vinte anos. Mais aborrecido do que ver a Suíça a jogar.